Material foi coletado em plantas como jabuticabeira e goiabeira. Descoberta pode ajudar a desenvolver novos medicamentos

A pesquisadora Aislan Fagundes, do Instituto de Saúde de Nova Friburgo (ISNF), Centro de Excelência em Pesquisa Científica da Universidade Federal Fluminense (UFF) no município, identificou substâncias presentes em plantas da família Myrtaceae, como jabuticabeira e goiabeira, que apresentam a capacidade de inibir a proliferação de câncer de colo de útero. A descoberta pode ajudar no desenvolvimento de novos medicamentos para tratar a doença.

A cientista integra um grupo, composto por professores e alunos do instituto, que pesquisa substâncias presentes em plantas com potencial anticâncer e que provoquem menos efeitos tóxicos nos pacientes. O material foi coletado em amostras cultivadas em Nova Friburgo e em Cantagalo, na Fazenda São Clemente, ambos os municípios localizados na Região Serrana do Rio de Janeiro.

“Este é só o primeiro passo, mas que já nos enche de expectativas para o desenvolvimento de novos fármacos, capazes de tratar tumores não responsivos aos tratamentos disponíveis e que causem menos efeitos tóxicos para os pacientes”, afirma a pesquisadora.

Saúde pública

O câncer de colo de útero é um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões subdesenvolvidas, onde ocorrem mais de 85% das mortes relacionadas à doença.  Em 2022, mais de 78 mil mulheres foram diagnosticadas com câncer cervical e mais de 40 mil morreram da doença na região das Américas.

“Este é só o primeiro passo, mas que já nos enche de expectativas para o desenvolvimento de novos fármacos”

Aislan fagundes, pesquisadora isnf/uff

Apesar dos avanços no desenvolvimento de medicamentos contra o câncer nas últimas décadas, a quimioterapia está associada a uma alta taxa de efeitos tóxicos, que compromete significativamente a qualidade de vida dos pacientes que estão sujeitos a diversos efeitos colaterais. Os principais observados são:

·       Toxicidade hematológica;

·       Toxicidade gastrointestinal;

·       Toxicidade cardíaca;

·       Toxicidade hepática;

·       Toxicidade pulmonar;

·       Toxicidade neural;

·       Toxicidade renal;

·       Disfunção reprodutiva.

Além disso, muitos tumores desenvolvem uma resistência aos fármacos disponíveis para o tratamento e acabam se proliferando pelo organismo, o que pode levar a muitas mortes.

“O câncer afeta quase um em cada cinco indivíduos ao longo da vida, com aproximadamente um em cada nove homens e uma em cada 12 mulheres perdendo suas vidas para a doença”, alerta a pesquisadora.

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